Exposição realizada em parceria com Valderez Englert  no Paço Municipal  Porto Alegre | 2016

 

Cada coisa é um lugar

O encontro delas se deu em espaço de laboratório, no caminho da experimentação.

Em cada território um percurso de coisas, uma geografia de gestos, a vontade de fazer forma e depois partir.

As agulhas de Valderez Englert  atravessam tudo que chega com liberdade, ligeireza. Os panos, as trouxas, as bonecas, livros e malas, se acumulam, frutos do desejo incansável de agregar, aglutinar, dar densidade de  corpo ao afeto, à memória.

As cerâmicas e objetos moles de Eneida Stroher aparecem como brotação tátil, vazão de uma mão desejante, interrogante, ordenada por um olho afiado de bússola, quase sempre apontando na direção de alguma estranheza.

Ambos são processos livres de qualquer sentido ou projeto prévio. No movimento que realizam lado a lado,  um diálogo estrangeiro reverbera, pulsa e escapa.

Deste percurso, recebemos pedaços. Eles emitem sinais. Algum farol nômade. Cada coisa é um lugar.

 

Márcia Mello e Ana Flávia Baldisserotto _ Maio de 2016